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falta de osso impede a colocação de implantes?

Falta de osso impede a colocação de implantes?

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    É uma das frases que mais inquieta quem perdeu dentes há algum tempo: “Disseram-me que tenho pouco osso.” Muitas pessoas interpretam estas palavras como uma conclusão definitiva. Sem osso, não há implantes. Na realidade, a situação é bastante mais complexa e, muitas vezes, também mais favorável.

    Um implante dentário precisa de suporte ósseo adequado. Isso é indiscutível. Mas “ter pouco osso” não descreve um diagnóstico completo. É preciso saber onde falta, quanto falta, se o problema é de altura ou de espessura, qual a qualidade do osso existente e que estruturas anatómicas estão próximas. Só depois desta análise faz sentido decidir se um implante convencional pode ser colocado, se é necessário aumentar o volume ósseo ou se existe uma alternativa terapêutica mais adequada. 

    É precisamente por isso que a falta de osso deve ser vista como uma condição a estudar e não como uma sentença contra os implantes.

    Porque é que o osso desaparece depois de perder um dente?

    O osso dos maxilares não é uma estrutura imóvel. Está constantemente sujeito a remodelação e responde às condições existentes à sua volta.

    Depois da extração de um dente, o rebordo alveolar sofre alterações naturais de volume e forma. O organismo deixa de precisar de manter exatamente a mesma arquitetura que sustentava a raiz e inicia um processo de remodelação. A colocação de um implante não elimina por completo essas alterações biológicas. 

    O problema pode tornar-se mais evidente quando passaram vários anos desde a perda dentária. Também existem situações em que a quantidade de osso já estava reduzida antes da extração, como acontece em alguns casos de doença periodontal, infeção ou perda importante dos tecidos de suporte.

    Além disso, a localização conta. Na parte posterior da maxila superior, por exemplo, a proximidade do seio maxilar pode limitar a altura óssea disponível. Na mandíbula, é necessário respeitar estruturas como o nervo alveolar inferior.

    Por isso, duas pessoas a quem foi dito que têm “pouco osso” podem apresentar situações completamente diferentes e necessitar de soluções igualmente diferentes.

    Não basta saber quanto osso existe

    Um dos erros mais comuns é imaginar o planeamento de um implante como uma simples medição: há osso suficiente ou não há.

    Na prática clínica, é necessário pensar em três dimensões.

    O implante deve ficar numa posição que permita obter estabilidade e, simultaneamente, criar condições adequadas para a futura coroa ou prótese. Colocar um implante apenas onde existe osso, ignorando a posição ideal do futuro dente, pode comprometer a função, a higiene, a estética ou a manutenção a longo prazo.

    A avaliação começa pelo exame clínico e pela imagiologia apropriada. Quando a informação tridimensional é necessária para responder às questões do caso, a tomografia computorizada de feixe cónico, ou CBCT, permite avaliar a anatomia em volume, incluindo a largura e a altura disponíveis e a relação com estruturas anatómicas relevantes. As recomendações internacionais defendem, no entanto, que a utilização de exames tridimensionais deve ser justificada pela necessidade clínica e não solicitada de forma automática a todas as pessoas. 

    Na Clinicalvor, a radiologia dentária 3D está integrada no diagnóstico e no planeamento implantológico precisamente quando esse nível de detalhe pode alterar a decisão clínica ou aumentar a segurança do tratamento. 

    Quando falta osso, é possível criar melhores condições

    Se o volume disponível não permitir colocar o implante na posição adequada, uma das possibilidades é recorrer a técnicas de regeneração ou aumento ósseo.

    Não existe, contudo, um único “enxerto de osso”. A solução depende da anatomia e da dimensão do defeito.

    Quando existe sobretudo falta de espessura, podem ser consideradas técnicas de aumento horizontal. A regeneração óssea guiada recorre a materiais de enxerto e membranas em determinadas situações para criar condições que favoreçam a formação e manutenção de novo volume ósseo. Em defeitos mais exigentes podem ser necessárias técnicas diferentes ou procedimentos efetuados em fases distintas. A evidência disponível mostra que os procedimentos de aumento do rebordo podem permitir a colocação de implantes em locais onde inicialmente não existia volume suficiente, embora a complexidade e o risco de complicações aumentem nos defeitos mais difíceis. 

    Na região posterior da maxila superior existe ainda outra situação frequente. Quando a altura óssea disponível é limitada pela proximidade do seio maxilar, a elevação do pavimento do seio pode ser considerada em casos selecionados para criar condições para a colocação do implante. 

    A regeneração pode decorrer antes da colocação do implante ou, em situações adequadas, ser realizada simultaneamente. Esta decisão depende da anatomia, da estabilidade que é possível obter e do tipo de defeito.

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    Fazer enxerto nem sempre é a única resposta

    Este é talvez o ponto mais interessante da implantologia atual. Durante muitos anos, perante uma redução importante da altura óssea, a tendência passava frequentemente por tentar criar osso suficiente para receber um implante de dimensões convencionais.

    Hoje existem mais opções.

    Em determinadas regiões posteriores e perante condições clínicas adequadas, implantes mais curtos podem permitir aproveitar o osso disponível e evitar procedimentos de aumento ósseo mais invasivos. O consenso do International Team for Implantology considera os implantes curtos, definidos nesse contexto como tendo 6 mm ou menos, uma opção válida em determinadas situações de altura óssea reduzida. Os estudos disponíveis mostram resultados encorajadores, embora a indicação dependa do caso e exista menos informação a muito longo prazo do que para algumas soluções convencionais. 

    Nos casos de atrofia muito severa da maxila existem ainda soluções mais complexas, como os implantes zigomáticos, que utilizam uma ancoragem diferente da dos implantes convencionais. Não constituem uma alternativa rotineira nem são indicados simplesmente porque “há pouco osso”. São tratamentos avançados reservados a situações específicas, após planeamento rigoroso. A própria Clinicalvor aborda esta possibilidade no contexto das reabilitações com perda óssea maxilar grave. 

    A existência destas alternativas não significa que seja sempre possível evitar regeneração óssea. Significa que atualmente o planeamento pode comparar estratégias diferentes e escolher aquela que oferece a melhor relação entre previsibilidade, invasividade, tempo de tratamento e necessidades individuais.

    O osso não é o único fator que decide

    Ter volume ósseo suficiente é importante, mas um bom tratamento implantológico não se resume ao osso.

    A saúde das gengivas e dos tecidos periodontais, a higiene oral, o tabagismo, determinadas doenças sistémicas, os medicamentos, o controlo de condições como a diabetes, o espaço disponível para a prótese e a forma como os dentes contactam entre si também podem influenciar o planeamento e o prognóstico.

    É particularmente importante controlar previamente a doença periodontal quando existe. Colocar um implante não elimina a necessidade de cuidar dos tecidos que o rodeiam. Pelo contrário, quem perdeu dentes devido a periodontite precisa de um programa de manutenção adequado depois da reabilitação.

    Também é importante perceber o objetivo final. O tratamento não consiste simplesmente em “conseguir colocar um parafuso no osso”. O implante é apenas o suporte. O verdadeiro resultado é uma reabilitação que permita mastigar, falar, manter uma higiene adequada e conviver confortavelmente com a prótese durante muitos anos.

    É esta visão global que justifica um planeamento individual e evita decisões baseadas apenas numa radiografia ou numa medição isolada.

    Antes de dizer que não há osso, é preciso perceber quanto existe

    “Não tenho osso suficiente” pode significar coisas muito diferentes. Por vezes existe osso adequado e basta escolher corretamente a posição e as dimensões do implante. Noutros casos, uma regeneração localizada permite criar o volume necessário. Há situações em que um implante curto pode constituir uma alternativa e outras em que são necessárias técnicas cirúrgicas mais avançadas.

    Também existem casos em que um implante não é a melhor opção. Essa possibilidade deve ser assumida com a mesma clareza. A implantologia moderna oferece mais soluções, mas não transforma todos os casos em candidatos automáticos.

    Na Clinicalvor, a avaliação em Implantologia, área sob responsabilidade clínica da Dra. Paloma Rios, parte precisamente desse princípio: primeiro compreender a anatomia e as condições de saúde, depois definir o tratamento. A existência de radiologia 3D permite acrescentar informação quando ela é necessária para estudar o volume ósseo e as estruturas anatómicas envolvidas. 

    Por isso, quando alguém ouve que tem pouco osso, a pergunta mais útil talvez não seja “posso ou não colocar implantes?”. É outra: que condições existem neste caso e qual é a forma mais segura e previsível de recuperar os dentes perdidos?

    Referências

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